Romualdo de Oliveira, conhecido como “Pepé”, faleceu nesta segunda-feira (19), aos 88 anos, no Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina (IPQ-SC), em São José. Ele viveu mais de 60 anos na instituição, mesmo sem diagnóstico de transtorno mental, deixando uma história marcada pela arte e pelo afeto.
Criado em um abrigo religioso, sem conhecer a família biológica, Romualdo teve poliomielite aos seis anos, ficando com limitações na perna esquerda. Por volta de 1957, chegou ao antigo Hospital Colônia Sant’Ana e, sem apoio familiar, permaneceu no local, que se tornou seu único lar.
Nos anos 2000, descobriu a pintura durante uma oficina e transformou seu quarto em um verdadeiro museu, com quadros, barcos feitos de palitos de fósforo e peças artesanais. Gostava de presentear funcionários e visitantes, e algumas de suas obras chegaram até a Argentina.
Sua história foi resgatada pela jornalista Ísis Leites, durante a produção do livro Os que ficaram, previsto para 2027. Um dos momentos mais emocionantes foi o pequeno barco que Pepé preparava para presenteá-la. Ele aguardava um dia de sol para finalizar a peça, mas os dois não conseguiram se reencontrar.
Querido pelos profissionais do hospital, Romualdo deixa um legado de criatividade e carinho. Pesquisadores e funcionários estudam realizar uma exposição pública com suas obras, preservando a memória do artista.
#SantaCatarina #RomualdoDeOliveira #HistoriasDeVida