Santa Catarina e Paraná receberam a classificação A+ na avaliação de Capacidade de Pagamento (Capag) de 2025, indicador do Tesouro Nacional que mede a saúde fiscal de estados e municípios brasileiros. No mesmo levantamento, o Rio Grande do Sul foi classificado com nota C, um nível que indica maior restrição fiscal e menor capacidade de assumir novas operações de crédito.
A edição de 2025 da Capag utiliza dados fiscais de 2024 como ano-base, o que significa que o indicador reflete a situação das contas públicas no exercício anterior. O resultado marca uma melhora relevante em relação ao levantamento anterior. Na Capag 2024 (ano-base 2023), Santa Catarina e Paraná já haviam recebido nota A+, enquanto o Rio Grande do Sul ficou com classificação D, o nível mais baixo da escala.
Como funciona o selo Capag
A Capag funciona como um termômetro das contas públicas e influencia diretamente a possibilidade de governos estaduais obterem aval da União para contratar empréstimos. Estados com notas mais altas demonstram maior equilíbrio fiscal, enquanto classificações mais baixas indicam maior pressão sobre as finanças.
Divulgado pelo Tesouro Nacional, o indicador avalia três pilares principais: endividamento, poupança corrente e liquidez. A partir desses critérios, os entes federativos recebem notas que vão de A+ (melhor situação fiscal) até D, refletindo o nível de risco das contas públicas.
Segundo Kalina Teixeira - Product Owner da Effecti, empresa de tecnologia especializada em compras públicas, compreender a situação fiscal dos entes públicos é um elemento estratégico para empresas que atuam em licitações. “Para quem vende ao governo, entender a saúde fiscal do órgão contratante é parte da análise de risco. Estados com contas mais equilibradas tendem a oferecer maior previsibilidade orçamentária e menor risco de atrasos ou revisões de contratos”, afirma.
A Effecti desenvolve tecnologia para empresas que participam de licitações públicas, apoiando os licitantes em todas as etapas do processo licitatório, desde a identificação de oportunidades até o acompanhamento após a disputa. Segundo dados do Portal da Transparência, o Governo Federal firmou R$135,39 bilhões em contratos em 2025.
“Além de impactar a capacidade de investimento dos governos, a avaliação também funciona como um indicador de previsibilidade para o mercado e para empresas que mantêm contratos com o setor público”, complementa Kalina.
Indicador fiscal também orienta o mercado
A leitura da Capag tem ganhado relevância também para empresas privadas que dependem de contratos públicos, especialmente em setores como saúde, infraestrutura, tecnologia e serviços.
Na avaliação de Kalina, acompanhar indicadores fiscais se tornou parte da profissionalização das empresas que atuam nesse mercado. “À medida que as compras públicas se tornam mais estruturadas e digitalizadas, cresce também a necessidade de análise de dados sobre o comportamento e a capacidade financeira dos entes públicos”, diz.
Atualmente, a Effecti monitora mais de 100 mil licitações por mês em todo o país, organizando oportunidades para que empresas identifiquem editais relevantes, preparem suas propostas, participem das disputas eletrônicas e acompanhem a comunicação com os órgãos públicos ao longo do processo.
Dentro desse contexto, a Effecti passou a integrar o indicador Capag às oportunidades capturadas, exibindo diretamente nas licitações a classificação fiscal do órgão público responsável pelo edital, junto a indicadores financeiros relevantes.
Para empresas que atuam em alto volume de licitações, o acompanhamento desses indicadores ajuda a orientar decisões comerciais, desde a priorização de mercados até a gestão de risco em contratos com o setor público. “Com essa informação disponível já no momento da análise da licitação, empresas conseguem considerar também o nível de risco fiscal do ente público antes de decidir participar da disputa”, conclui Kalina.