A decisão de Carlos Bolsonaro de transferir seu domicílio eleitoral para Santa Catarina mexeu com o tabuleiro político nacional, mas o Partido Liberal afirma que isso não altera em nada o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro para 2026.
Nos bastidores, partidos do Centrão passaram a especular um possível recuo do filho mais velho de Jair Bolsonaro, apostando que a movimentação de Carlos poderia indicar uma reacomodação do clã. A leitura desses grupos é de que Flávio poderia desistir da corrida ao Planalto para disputar a reeleição ao Senado pelo Rio de Janeiro.
O Partido Liberal, no entanto, rechaça essa hipótese. Segundo a direção da legenda no Rio, as pré-candidaturas dos irmãos são tratadas como “irreversíveis”, sem margem para recuo. A avaliação interna é de que a estratégia foi definida diretamente por Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Com a permanência de Flávio no projeto presidencial, o movimento abre espaço para que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, surja como nome natural do PL para a disputa ao Senado em 2026, rearranjando o xadrez estadual sem romper com o núcleo bolsonarista.
Antes de passar por uma nova cirurgia na quinta-feira (25), Jair Bolsonaro escreveu uma carta, lida por Flávio, na qual reafirma a escolha do filho como seu sucessor político. No texto, o ex-presidente classifica a decisão como “consciente e legítima” e diz que Flávio representa a continuidade do projeto iniciado antes mesmo de sua chegada ao Palácio do Planalto.
Enquanto isso, lideranças do Centrão seguem avaliando cenários alternativos e mantêm conversas com governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ratinho Junior (PSD), em busca de um nome competitivo para enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva na próxima eleição presidencial.
Apesar das especulações, o PL insiste que o plano segue inalterado: Flávio Bolsonaro no projeto presidencial, Carlos Bolsonaro em nova frente eleitoral e o partido focado em manter a hegemonia do bolsonarismo como força central da direita em 2026.