Muito antes de se tornar um dos bairros mais conhecidos e movimentados de Itajaí, São João era formado por áreas alagadas e regiões de mata próximas ao Rio Itajaí-Mirim
As primeiras denominações da localidade eram Baixada do Jacaré e Coloninha. A Baixada do Jacaré compreendia a região próxima às margens do rio, enquanto a Coloninha abrangia as terras em direção ao sul do atual bairro.
O nome Baixada do Jacaré surgiu porque, nos primeiros tempos da ocupação da região, era comum encontrar jacarés próximos aos rios e ribeirões de Itajaí. Relatos históricos de moradores antigos confirmam a presença desses animais na localidade antes da urbanização.
O surgimento do nome São João
O atual nome do bairro nasceu da forte presença da comunidade católica na região.
Segundo registros históricos, a mudança começou após a chegada de missionários capuchinhos a Itajaí durante a realização de missões religiosas. Um dos religiosos passou a realizar encontros e celebrações na região da Baixada do Jacaré, reunindo moradores da comunidade.
A partir dessas reuniões surgiu o movimento para construção de uma capela comunitária. Moradores da região organizaram a compra de um terreno da família Schroeder para erguer a igreja.
Por sugestão de Henrique Miguel, o santo escolhido para ser padroeiro da comunidade foi São João Batista. Assim nasceu o nome que mais tarde passaria a identificar oficialmente o bairro.
A primeira capela, construída em madeira, chegou a ser destruída por um vendaval, mas outra foi erguida no local. Em 1968 foi criada oficialmente a Paróquia São João Batista, fortalecendo ainda mais a identidade religiosa da comunidade.
Durante décadas, a tradicional festa junina da igreja atraiu moradores de diferentes regiões da cidade, especialmente pela grande fogueira que se tornou uma das marcas culturais da localidade.
Um bairro que cresceu junto com Itajaí
O desenvolvimento urbano de São João ganhou força principalmente a partir da década de 1940, quando Pedro Rangel abriu uma via ligando a Rua José Cândido à Rua José Pereira Liberato. A estrada mais tarde receberia o nome do próprio Pedro Rangel.
Com o passar dos anos, novas obras transformaram completamente a dinâmica da região.
Em 1976 foi inaugurada a Avenida Governador Irineu Bornhausen, conhecida popularmente como Caninana, importante ligação urbana que impulsionou o crescimento do bairro.
Já em 1980, a continuação da Rua Indaial até a Praça da Alegria ampliou a integração entre São João, Dom Bosco, Vila Operária e São Judas.
Outra obra marcante foi a construção da Ponte João da Silva, em 1982, ligando São João e São Vicente sobre o Rio Itajaí-Mirim.
Em 1996, a inauguração do Parque Ecológico Alessandro Weiss trouxe uma nova área de lazer e convivência para a comunidade.
Um bairro que deu origem a importantes localidades
Ao longo do crescimento urbano de Itajaí, São João também passou a abranger importantes localidades da cidade.
Regiões como Barra do Rio, que costeia o rio Itajaí-Açu e liga o bairro São João com o bairro Cordeiros, e Nova Brasília, que liga o São Vicente com a Barra do Rio, estiveram historicamente ligadas ao território e à dinâmica urbana do bairro, acompanhando o desenvolvimento populacional e econômico da região ao longo das décadas.
Com sua localização estratégica próxima ao Centro e às principais vias urbanas, São João acabou se consolidando como uma das regiões mais importantes de Itajaí.
Tradição, comunidade e crescimento
Atualmente, São João reúne forte atividade comercial, serviços, escolas, espaços religiosos e importantes corredores urbanos que conectam diferentes regiões da cidade.
O bairro mantém viva parte importante da memória comunitária e cultural de Itajaí, preservando tradições religiosas, histórias antigas e a forte relação dos moradores com a comunidade.
São João segue como um retrato da transformação de Itajaí: um bairro construído pela fé, pela convivência comunitária e pelo desenvolvimento da cidade.
Informações históricas baseadas em pesquisas do historiador Magru Floriano, autor do livro “Nossas Localidades”.